
Existem características e habilidades passadas de mãe para filho, cada um com a sua personalidade. Com Natali Gregory Jenisch, 40 anos, e Vicente Jenisch Rheinheimer, 13 anos, não foi diferente. Foi aos 9 anos que ela descobriu o amor pelo basquete, e hoje, o contato com o esporte segue vivo nos treinos e nas companhias ao filho, que assim como a mãe, mantém a paixão pelo basquete.
O primeiro contato de Natali com o basquete foi no projeto social Clube Atlético Ubirajá, e aos 14 anos, passou a ser estudante do Colégio Evangélico Alberto Torres (CEAT), também por incentivo do esporte. Até os 17 anos, estudou e treinou no colégio, quando finalizou o Ensino Médio.
Entre momentos marcantes estão a participação nas Olimpíadas Evangélicas, em campeonatos estaduais e a representação do CEAT pela seleção gaúcha de basquete. “A escola sempre manteve as portas abertas para mim e hoje é meu filho que a frequenta. Para mim, estar aqui, ver o Vicente aqui também, vivendo os valores da escola e todas as vivências que o esporte traz, é estar em casa.” Ela menciona que tem segurança e confiança no colégio, pois sabe que na sua ausência, tem pessoas que confia de olhos fechados que cuidam do seu filho. “Me sinto segura em saber que ele está em um mundo que passei, que me fez crescer como pessoa, com uma caminhada de valores fortes. O basquete representa as minhas melhores lembranças, experiências de viagens e amizades, que conservo até hoje.”
A continuidade
Vicente, que é estudante da 8ª série no CEAT, pratica o esporte desde os 10 anos. Ele teve o seu primeiro contato com o basquete por vontade própria, em 2022, mas o incentivo também veio por parte do técnico de basquete Ubirajara Hertzer, mais conhecido como Bira, e também pela mãe Natali. O que começou como uma brincadeira, se tornou um vício, e, desde que se tornou aluno do CEAT, em 2023, integra a equipe de competição de basquete Sub-13 e treina também no Sub-15. “O basquete virou parte do meu cotidiano, é uma terapia, um lugar de paz para mim”, afirma o jovem.
Segundo ele, entre as situações mais marcantes estão as resenhas nas viagens com os colegas de equipe e o técnico, a sensação de vitória e a satisfação como jogador e equipe depois de um jogo bom. “Antes das partidas sempre tem aquele nervosismo, o momento de concentração, por isso, o basquete virou um compromisso pra mim.”
Para Vicente, é motivo de orgulho e admiração o desempenho da mãe como jogadora de basquete. “Os treinadores me contam que ela jogava muito. Acho legal estar herdando isso dela e quero também, no futuro, jogar com meus filhos.”

“Dever cumprido”
Quem acompanhou ambas as trajetórias, a de Natali e a de Vicente, foi o técnico de basquete Bira. “Sinto como um dever cumprido, poder repassar o sentimento, o amor pelo esporte, a disciplina, e agora poder acompanhar o excelente trabalho da Natali como mãe do Vicente”, afirma Bira.
Para Natali, o Bira foi peça fundamental na introdução do esporte e em aprendizados como paciência, resiliência e cuidado. “Ele é referência no cuidado que teve comigo e agora tem com meu filho na formação como ser humano, me incentivou e motivou muito, também puxou a orelha quando foi preciso”, destaca ela. Bira ressalta que fica feliz por ter contribuído e feito parte do desenvolvimento da Natali, principalmente na oportunidade com os estudos, já que ela passou a ser aluna do CEAT através do basquete. “Apesar de não se tornar atleta de elite e se profissionalizar, na adolescência, era uma das principais jogadoras do estado. E agora com o Vicente, estou refazendo o ciclo, sempre tentando melhorar.”
Segundo o técnico, o contato com o esporte ajuda no desenvolvimento da disciplina, a busca pela melhora constante, o trabalho em equipe, o respeito às regras, contribui na saúde física e mental, na organização e em como lidar com vitórias e fracassos. “É importante verem como é difícil vencer e que tudo tem um preço. Todo bônus tem um ônus”, completa.
No CEAT, a prática do basquete é histórica, assim como o voleibol e atletismo, que ocorre desde o início da Rede Sinodal, em mais de 130 anos. Deste tempo, há mais de 30 anos, é desenvolvido em parceria com o Clube Atlético Ubirajara, quando alunos de outras instituições também podem ter acesso ao esporte através dos núcleos nos projetos sociais.

